Perfume

Resenha do perfume Gelsomino, de Santa Maria Novella

Descubra as principais características e a história do “jasmim proibido” por atrás dessa fragrância floral que tem tudo a ver com a elegância florentina

por Gui Takahashi

Entrar na Officina Profumo-Farmaceutica di Santa Maria Novella, em Florença, é como viajar no tempo. Eu tive a oportunidade de conhecer a loja original na minha última visita à Itália. Fundada em 1221 por frades dominicanos, a instituição carrega o título de farmácia mais antiga do mundo se transformou em perfumaria e permanece até hoje como um bastião da perfumaria de nicho e do savoir-faire italiano.

Entre as diversas criações que enfeitam suas prateleiras históricas, uma fragrância em particular captura a essência da aristocracia toscana e o conceito de exclusividade: o Gelsomino. Gelsomino quer dizer jasmim em italiano e essa flor carrega uma história florentina que fala sobre poder, ciúmes e botânica remontando ao século XVII.

O segredo botânico de Cosimo III de Médici

A história por trás do Gelsomino está intrinsecamente ligada à figura de Cosimo III de Médici. A lenda conta que o grão-duque da Toscana recebeu um presente singular do rei de Portugal: um jasmim indiano, visualmente e olfativamente distinto das variedades comuns encontradas na Itália.

Encantado pela flor, Cosimo III teria desenvolvido um afeto possessivo. Para garantir que aquela fragrância fosse uma exclusividade sua, proibiu terminantemente o cultivo da espécie por qualquer outra pessoa em seus domínios. Apenas o nobre podia ter o jasmim em sua estufa. Assim, por anos, sentir aquele cheiro específico era um privilégio restrito apenas ao grão-duque e ao seu círculo mais íntimo.

Hoje, a Santa Maria Novella leva o legado florentino adiante e interpreta o jasmim de uma forma moderna e elegante.

perfume Gelsomino, Santa Maria Novella – foto: divulgação

A pirâmide olfativa: uma ode ao dolce far niente

Do ponto de vista técnico, o Gelsomino da Santa Maria Novella é classificado como um floral amadeirado almiscarado. Longe de ser um soliflore (perfume de uma única nota) simples, ele apresenta uma construção complexa que equilibra frescor e cremosidade.

  • Notas de topo: A abertura é vibrante e moderna, combinando a acidez cítrica de toque floral da Bergamota com a faceta especiada da Pimenta Rosa, conferindo um brilho imediato à fragrância.
  • Notas de corpo: O protagonista indiscutível é o Jasmim. No entanto, diferentemente das versões indólicas (que podem remeter a algo “sujo” ou animalico), aqui o jasmim é trabalhado de forma limpa, cremosa, esverdeada e extremamente natural.
  • Notas de fundo: A estrutura se assenta sobre madeiras e almíscar, garantindo longevidade e uma sensação de conforto na pele.

O Veredito

Acho Gelsomino uma boa tradução olfativa de uma elegância italiana discreta, confortável e levemente romântica. Consigo me imaginar com um vestido midi branco de algodão, usando essa fragrância. Ela faz parte da linha de eaux de parfum e foi a que mais me encantou. Sua durabilidade é intermediária para efêmera. Acredito que na minha pele eu o sinta por até 5 horas, mais ou menos.

Isso tudo sem falar da experiência de compra: da loja linda, histórica, bem decorada até as embalagens. Os eaux de parfum vêm em caixas robustas e com lombadas que parecem livros, romances antigos. Esse perfume se tornou uma lembrança gostosa da minha viagem e visita à Santa Maria Novella em Florença.

embalagem Gelsomino Santa Maria Novella

Gui Takahashi é jornalista de beleza há mais de 10 anos. Ela foi editora sênior de beleza de títulos internacionais como Marie Claire e colunista na revista Glamour. Ao longo de sua tragetória, gerenciou o branded content de uma das maiores multinacionais brasileiras de cosméticos e perfumaria. Em seu currículo, tem extensão em jornalismo de beleza pela FAAP, cursos profissionais de maquiagem na Escola Madre e é avaliadora olfativa pela Paralela Escola Olfativa.

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